FABIO GIORDANO
da Folha de S.Paulo
Talvez você ainda seja um pouco jovem para se preocupar diretamente com os problemas de saúde, sobretudo da mulher com idade mais avançada, mas é bom saber dos importantes avanços que a biologia tem promovido.
Acredita-se que a menor incidência de sintomas da menopausa, de osteoporose e de cânceres estrógeno-dependentes nessa população esteja relacionada com a ingestão de isoflavonas, um conjunto de substâncias naturais retiradas da soja.
As isoflavonas são assimiladas pelo organismo da mesma forma que o estrógeno natural, mas sem os possíveis efeitos colaterais. Sua atividade é semelhante à dos hormônios femininos, vitais para a saúde da mulher. Quando ingeridos, os fitoestrógenos da soja sofrem transformação estrutural na digestão e são convertidos numa forma fraca de estrógeno.
Mas não é só no período do climatério que as mulheres devem ficar atentas à sua dieta. Jovens com dietas pobres em componentes graxos provocam redução nos níveis de estrógeno, como acontece com mulheres anoréxicas e com corredoras de maratona, que regulam a ingestão de óleo na alimentação. Isso representa um risco para a função reprodutiva feminina e para os ossos.
Uma opção para esse grupo de mulheres é alimentar-se com produtos à base de soja, como o tofu e o leite de soja, entre outros derivados, para compensar a carência de óleo.
A quantidade de fitoestrógenos consumidos depende do alimento ingerido, por isso a utilização de um extrato padronizado é mais interessante para disponibilizar concentrações constantes de isoflavonas na dieta.
Por fim, é importante lembrar a precaução de não fazer nenhum tipo de dieta sem antes consultar um profissional competente e tomar cuidado especial ao associar isoflavona com contraceptivos.
Fabio Giordano é bacharel em biologia, doutor em ecologia pela USP e professor-pesquisador da Unisanta